Tecnofeudalismo globalista ou socialismo? Qual ideologia econômica (ou modelo) ameaça mais o liberalismo econômico?

Tecnofeudalismo globalista ou socialismo? Qual ideologia econômica (ou modelo) ameaça mais o liberalismo econômico? 

Em redes sociais como o X, antigo Twitter, mais frequentado pela alta classe média paulistana, é muito comum, debates sobre a dicotomia já meio fora de moda, entre o capitalismo e o socialismo; nesse ambiente, ganha pontos entre as páginas que defendem o modelo capitalista, aqueles que concordem com tudo o que é postado nelas.

A abordagem, além de ultrapassada, não avança ao redor do que verdadeiramente vem se transformando na maior ameaça ao capitalismo liberal e que aos poucos ganha espaço, por ser permeável em ideias que até os próprios liberais defendem, como o anarcocapitalismo.

Um ambiente onde a figura do Estado deixaria de existir, ou seja, um modelo onde a anarquia seria predominante, sem que se abra mão do sistema capitalista, e principalmente do direito de propriedade, dentro do modelo econômico vigente, e onde todos seriam responsáveis por suas próprias despesas, sem a obrigação do pagamento de impostos para o custeio de políticas públicas de estado de bem estar social, ou mesmo de manutenção da própria estrutura de Estado em si.

Desse modo, aspectos ligados à segurança pública, à defesa territorial do ente nacional, a justiça desempenhada no meio forense, são ignorados, dentre as estruturas de Estado, responsáveis pelo bem como; algo que no entendimento anarquista, pudesse ser tudo providenciado por empresas especializadas nas distintas áreas, onde a neutralidade e a isonomia já tão prejudicada pelo poder dos lobbies, ficaria ainda mais comprometida. 

Por outro lado, os globalistas, também defendem o fim dos Estados Nacionais, mas por motivos muito mais metódicos e cartesianos; tratam-se de figuras da alta plutocracia oligárquica mundial, que controlam diretamente ou influenciam de modo indireto, várias entidades ou organismos internacionais, onde através deles, podem expor suas ideias que pregam o "reinício global", e que a partir disso, uma nova humanidade ou um novo modelo de sociedade seriam implantados. 

Ocorre que no modelo de sociedade defendido pelos globalistas, apenas os detentores de grandes fatias de capital, teriam de fato, algum poder de comando, enquanto todos os demais, seriam considerados, pessoas comuns da massa populacional, inclusive a alta classe média. Desse modo, a média e pequena propriedades seriam extintas e somente, mega detentores de patrimônio ou capital, teriam voz ou vez no novo modelo universal e supranacional de sociedade vislumbrado. 

Isto é, a democracia seria completamente abolida na prática, onde somente o poder daqueles que possuem as maiores quantidades de terras ou capital, teriam protagonismo e poder de decisão, já que governos, parlamentos e cortes constitucionais, não existiram mais, devido a ideia de que a figura do Estado também não mais seria necessária e por isso deixaria de ser realidade.

Um cenário pós-apocalíptico, digno de grandes produções de cinema de Hollywood, mas que não promete ser nada relacionado à ficção, e que pode estar muito mais próximo da realidade, do que muitos imaginam.

Trata-se de algo extremamente perigoso para as liberdades individuais, defendidas pelo liberalismo, pois sem a figura estatal para garantir que tais liberdades sejam realidade, havendo tão somente um pequeno grupo de super plutocratas controlando cada um, uma parte do planeta, o modelo que se vislumbra, se assemelha muito mais a uma realidade similar ao feudalismo, que o temido socialismo, tão criticado nas páginas do X. 

Quem faz o alerta de que o triunfo do capitalismo, pode estar sendo a causa para o seu próprio colapso, é o ex-ministro de finanças grego, Yanis Varoufakis; ele é marxista, mas nem por isso pode estar errado em sua análise sobre o que o futuro reservado ao capitalismo; ele chama o novo modelo econômico, que na sua visão, já é vigente, como tecnofeudalismo.

Varoufakis associa o modelo de armazenamento de dados em nuvem de plataformas digitais das big techs a algo similar ao que os senhores feudais faziam, onde nada é produzido por elas e as rendas são extraídas dos usuários que produzem conteúdos postados ou publicados nessas plataformas.

Mas Yanis Varoufakis, pode estar tendo uma visão um tanto limitada sobre o que anda acontecendo com o mundo. O projeto globalista, não contempla os chamados oligarcas das big techs e está muito mais interessado na implantação de um novo modelo de sociedade, onde todos inicialmente aceitariam espontaneamente a proposta, por contemplar diversas demandas das mais variadas camadas da população, mas que após consolidado e observadas as enormes desvantagens, não teria mais volta, podendo gerar retrocessos gigantescos para a humanidade.

Nessa concepção globalista, não apenas a figura do Estado seria abolida, como também, da pequena e média propriedade, bem como ainda, até o próprio capitalismo. O liberalismo, a doutrina ou filosofia ideológica que atualmente conduz o sistema capitalista, seria apenas uma vaga lembrança na memória de alguns, pois a principal e maior liberdade, o direito de ser ter onde morar, não seria mais respeitado e as pessoas ainda seriam condicionadas a viver conforme cotas pessoais ou familiares de mantimentos, de acordo com o que se considera compatível com critérios ambientais, onde os níveis de emissão de gases do efeito estufa para a produção alimentos, calçados e roupas, artigos de higiene e limpeza e outras necessidades humanas básicas, obedeceriam a essa limitação.

As big techs, por sua vez, são plataformas que dão alguma voz a pessoas comuns que poderiam protestar contra a agenda globalista. Não por acaso, a censura ou a limitação e controle de acesso de usuários comuns às redes sociais, tem sido um tema cada vez mais discutido no mundo, sob os mais variados pretextos, sempre envoltos em um manto de boas intenções de proteção a crianças, adolescentes ou até mesmo da própria democracia, através de estudos publicados, os quais são financiados pelas próprias entidades globalistas, que se mostram as maiores interessadas no controle de opinião de usuários nas redes sociais.

Portanto, o diagnóstico de Varoufakis, é além de equivocado e limitado, praticamente ignora o controle tecnocrata dos globalistas, estes sim, os verdadeiros e maiores interessados no fim do capitalismo liberal, sob mediação do Estado, que garante o direito de pequena e média propriedade.

E para garantir que seus propósitos sejam bem sucedidos, os globalistas já aparelharam instituições de Estado de vários países do mundo, além de atuarem sobre através de ONGs, principalmente ambientais, financiadas através de fundações ligadas a grandes empresas e através delas, promovem políticas práticas de sabotagem a interesses nacionais e de suas populações.

Nessa seara, a preocupação dos globalistas, está ancorada sobretudo, na adoção de uma postura que vise agradar ao maior número de pessoas possível, dentre os mais variados nichos populacionais, porém, sempre no cuidado em contemplar aspectos ligados a teores conservadores, relacionado a perspectivas comportamentais humanas em sociedade, por meio de conceitos tradicionalistas, ancorados na família conduzida por um casal heterossexual em que o homem, exerce seu papel de provedor e protetor e a mulher de mãe, responsável pelo zelo da casa em amparo consorciado da formação educacional dos filhos.

A nítida preocupação globalista no desmantelamento de esteios familiares sólidos, em torno do tradicionalismo e da religião, certamente se configura num primeiro passo decisivo para a formação da nova sociedade projetada por eles, após o processo que chamam de reinício. 

O que orbita ao redor dessas dinâmicas, sem dúvida, está a fragmentação dos interesses humanos ao redor subprioridades, onde direitos humanos básicos, como o trabalho digno e bem remunerado para o provimento familiar, perde espaço para a preocupação ambiental, onde o manejo do meio ambiente como instrumento provedor de recursos econômicos capazes de reduzir níveis de pobreza extrema por meio de políticas públicas de desenvolvimento bem implementadas por governos, é encarado pelos globalistas como degradação ecológica, que na sua concepção, seria capaz de levar o planeta ao caos climático em questão de pouquíssimos anos.  

Dessa forma, o alarmismo ambiental defendido pelos globalistas, que se apara em pesquisas científicas financiadas por eles mesmos, e que justamente em razão disso, apresentam o resultado esperado para a implantação de sua agenda de reorganização da sociedade mundial, também contempla as chamadas pautas identitárias woke, onde o cuidado com o direito ao abordo, ideologias de gênero, ou a preocupação racial em dimensões equivocadas e que não observa de forma justa, as pessoas realmente prejudicadas sob essas questões, estão ainda, implicadas nesse propósito.  

Tecnocracia

Enfim, Yanis Varoufakis, acerta na definição do novo modelo de sociedade já em implementação dos globalistas, mas erra no diagnóstico mais enfático e preciso, sobre qual grupo de influência ou interesse internacional, pode de fato, por o capitalismo liberal em xeque; os tecno-feudalistas das big techs, são poderosos, mas eles ainda não aparelharam entidades, fundações, ONGs e muito menos organismos internacionais como a ONU, para difundir suas ideias e promover lavagens cerebrais nesse sentido.

Uma tecnocracia está mesmo em curso e ela pretende se suplantar acima dos representantes democráticos de Estado, por se achar mais capacitada, mas também por ignorar o debate e as discussões em nome de supostas emergências climáticas que estariam assolando a humanidade. A abolição da figura estatal pode parecer uma proposta tentadora em seu início, devido ao fato da não obrigatoriedade no pagamento de impostos a um determinado governo, mas isso não livrará as pessoas a serem obrigadas a sacrificar suas rendas onde parte delas, seriam dadas a tecnofeudalistas, em troca de proteção ou amparo; ignorando aquilo que é mais importante a um liberal, depois do seu direito de propriedade, a liberdade de conduzir seu patrimônio como melhor entender e o exercício da livre iniciativa empreendedora.

É dentro dessas perspectivas portanto, onde se torna necessário, o redobrado cuidado com a moderação e a não radicalização de pautas que os mais diversos nichos da sociedade defendem, pois os globalistas estão atentos a todos eles, e os usarão da forma mais conveniente para a implantação. 


 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desenvolvimento regional - Porque algumas regiões brasileiras não se desenvolveram como outras

Ideologias econômicas - Liberalismo, globalização neoliberal, globalismo e malthusianismo ambiental

Políticas de governo e de Estado – Setores estratégicos da economia brasileira