Lei da escassez - Essência do capitalismo
Lei da escassez - Essência do capitalismo
Como se sabe, as relações comerciais, são determinadas pela oferta de produtos ou serviços; contudo, a oferta por si mesma, não é capaz de determinar o preço de algo a ser vendido. Para haver a formação de preços, é preciso pessoas interessadas em adquirir aquilo que está sendo ofertado.
Um produto ou serviço em abundância, mas sem que ninguém interesse em compra-lo, não irá valer muito; entretanto, se outro tipo de produto, for muito solicitado e sua oferta insuficiente, seu preço será sempre elevado; além disso, variações sobre o poder de compra da moeda de um país (que também obedece a essa mesma lógica, ao redor de suas naturezas fiduciárias), impacta igualmente no preço das mercadorias.
Através desse conhecimento, muitos agentes econômicos, passaram a manipular situações para se criar falsas demandas sobre bens e serviços, para fazer com que seus preços se elevem artificialmente. Até a escassez sobre determinados produtos ou serviços, pode ser manipulada para mesmo numa situação de abundância, os preços subam.
A lei da escassez descreve a condição de que os recursos são limitados, enquanto as necessidades e desejos humanos, são praticamente ilimitados.
Recursos limitados - A economia se baseia em recursos limitados (terra, matérias-primas, capital e mão de obra), pois são considerados finitos e não podem ser produzidos em quantidades infinitas
Necessidades e desejos ilimitados - As necessidades humanas são diversas e nunca totalmente satisfeitas; além disso, os desejos humanos são ilimitados.
De acordo com a teoria econômica clássica, a escassez força indivíduos empresas e governos a fazer escolhas sobre como alocar recursos para satisfazer necessidades e desejos mais urgentes ou prioritários.
Desse modo, a escassez de bens e serviços, geralmente aumenta seu valor e consequentemente, seu preço. Quando a demanda ou procura de um produto é elevada, e a oferta, limitada, o preço tende a subir.
A lei da escassez tem implicações importantes para a economia, pois influencia a forma como os recursos são alocados; como os preços são determinados e como as decisões de produção e consumo são tomadas.
O princípio da escassez também é utilizado como técnica de vendas, de acordo com as necessidades ou carências humanas, geralmente, de âmbito psicológico. É o que se chama de psicologia do marketing, onde desejos da vida contemporânea são usados como arma para vendas. Exemplos: produtos para emagrecer, queda de cabelo, utilidades domésticas etc.
Foi dentro dessa dinâmica da escassez de recursos que o economista britânico do Século 19, Thomas Malthus, defendeu a ideia de controle populacional através da taxa de natalidade, como forma de conter o aumento da população, frente ao que ele entendia como escassez de recursos para a produção de bens, essencialmente, de alimentos.
Sua teoria ficou conhecida como malthusianismo, sendo muito criticada, mas também apoiada. A teoria de Malthus foi de certo modo, corroborada e também desmentida.
Após a Segunda Mundial, o malthusianismo emergiu como forma de controle de natalidade para reduzir a pobreza, essencialmente em países africanos, devido à experiência europeia, com a redução populacional como consequência da guerra e que acabou promovendo um certo enriquecimento indireto per capita, dos países europeus envolvidos no conflito bélico-militar, ocorrido entre 1939 e 1945.
Contudo, Thomas Malthus, ignorou exatamente o que já se comprovava na prática em sua época, embora tivesse publicado sua teoria em 1798 no auge da Revolução Industrial onde o uso da tecnologia como principal ferramenta para o aumento da produção e da produtividade em escala, já era capaz de demonstrar a possibilidade de haver alguma falha de interpretação em seu estudo, na relação da escassez, frente ao aumento da população, ainda que a expectativa de vida britânica, fosse de apenas 36 anos, naquele tempo.
Com o desenvolvimento de novas técnicas tais como o melhoramento genético de sementes e na fertilização de solos, ocorreu um aumento considerável na produção de alimentos, que atendeu de modo satisfatório, a população global, ainda que não deixasse de haver alguma insegurança alimentar em países mais pobres, desmentindo as projeções de Malthus.
Na atualidade, os globalistas defendem a mesma pauta, porém, em função de razões ambientais. A alegação dos defensores do neomalthusianismo, é que os recursos naturais do planeta, não seriam suficientes para a produção de riquezas, bens ou serviços que atenda de forma satisfatória a toda a população mundial, ao redor de 8 bilhões de pessoas.
A alegação seria de que até mesmo a produção de alimentos, estaria acelerando a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, o que de acordo com cientistas que corroboram as teses globalistas, precipitaria as mudanças climáticas, provocando cataclismos meteorológicos em várias partes do planeta, vitimando pessoas, embora o risco de elevação da insegurança alimentar, seja descartado, pela mesma razão que também vitimizaria pessoas pela fome.
Mas não é só os globalistas cuja a tendência ideológica de suas pautas seriam progressistas, que usam a lei da escassez como argumento para a redução no ritmo de atividade econômica no qual como consequência haveria aumento dos níveis de pobreza global; muitos liberais, identificados com a direita no Brasil, se utilizam do mesmo argumento em defesa do fim de políticas de bem-estar social, tais como educação, saúde e previdência social públicas.
Ou seja, enquanto os pobres, vítimas da regressividade tributária por pagarem mais impostos correspondente a suas rendas, subsidiam a classe média em torno desses serviços privados, que ela prefere ao desprezar seus equivalentes públicos, defendem o fim dos gastos do governo nessas áreas, por acreditarem que não há recursos suficientes para financiar essas áreas sociais no longo prazo.
Dessa maneira, é possível observar como a lei da escassez vem sendo usada para sonegar grandes escalas produtivas destinadas a beneficiar a maior parte da população, e que por questões mercadológicas ou mesmo, ideológicas, tem em sua dinâmica na ideia de limitação ou finitude de recursos financeiros e de matérias-primas, a alegação da suposta necessidade de redução do nível das atividades econômicas e extinção de benefícios sociais, que por sua vez também, limita o acesso de um maior número de pessoas aos benefícios do capitalismo.
A lei da escassez assim, gera grandes lucros, com o pessimismo generalizado provocado por crises, às quais nunca se sabe, surgem de modo involuntário ou proposital e que limita o acesso da maioria populacional a produtos e serviços. E para isso, é necessário haver a construção de toda uma narrativa de que os recursos estariam se tornando cada vez mais escassos, devido ao aumento populacional.
Este tem sido o discurso globalista que vigora sobretudo em comitês de discussão sobre assuntos ligados ao clima da ONU e do Fórum Econômico Mundial. O novo presidente da segunda entidade mencionada, sediada em Davos, na Suíça, o ex-CEO da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, chegou a defender o uso da água como mercadoria para que só grandes empresas pudessem explorar sua comercialização.
Embora o que seja cobrado pela água, seja apenas o serviço de tratamento e distribuição via dutoviária das empresas de saneamento até as residências, a proposta do presidente interno e ex-CEO da Nestlé sobre a adoção da água ao status de commodity, causa preocupação e expõe intenções nada cordiais ou amparadas na empatia com o ser humano.
Portanto, as estruturas dominantes estão sempre se firmando em narrativas às quais estão sempre em conformidade com seus interesses; sejam eles, através de pautas ambientais, liberais ou até sobre políticas públicas sabidamente ou propositadamente negligentes em qualidade, tais como serviços de saúde, educação e previdência social, em alegações que justifiquem o fim da oferta dessas políticas em função da adequação aos novos tempos, onde a escassez de recursos financeiros estatais, se faria evidente.
A criação de falsa escassez que força alta de preços
A ciência do marketing envolve uma variedade de princípios econômicos e ferramentas de psicologia social. Aproveitar o comportamento e as tendências humanas é o que pode propiciar em lucros maiores para as empresas.
O princípio da escassez estabelece pode ser usado como instrumento de desequilíbrio entre oferta e demanda, para impulsionar vendas, tanto de produtos ou serviços, mas principalmente, em torno de ativos do mercado financeiro de capitais.
Portanto, como se sabe:
A escassez aumenta o valor percebido
O medo de perder algo, promove urgência e ação
Quantidades limitadas induzem o público alvo a tomar decisões rápidas e assertivas, sem procrastinação ou hesitação
A escassez real ou artificial dá vantagens competitivas às empresas que controlam determinados mercados onde sabidamente existe uma demanda forte e constante ao redor do produto ofertado, em que através disso determinam a oferta, gerando como consequência disso, aumento dos lucros.
Gatilhos psicológicos e metais, além do efeito manada também são usados para alavancagem artificial de vendas, ao redor da criação de falsas sensações de escassez que motivam pessoas a adquirirem um determinado produto, por acreditarem que existam poucas quantidades ou que estas estejam limitadas.
Escassez reversa
Entretanto, nem sempre a lei da escassez serve unicamente ao propósito de elevar preços, seja de modo natural ou artificial; em certas situações, a lei da escassez é também usada para desvalorizar preços, essencialmente aqueles ligados ao nível de instrução, escolaridade, graduação universitária, profissionalização ou conhecimento relacionado à mão de obra.
A retórica dominante se dá no sentido, se dá na notória realidade em que o nível de instrução ou escolaridade da população brasileira, aumentou significativamente nos últimos 30, melhorando portanto, o nível da mão de obra. Em contrapartida a esses avanços, existem especialistas que se recusam a reconhecer que a população de hoje, seja mais instruída que a de 30 anos atrás.
Dessa maneira, procuram por em dúvida a qualidade de ensino oferecido, onde apelam para o que chamam de "analfabetismo funcional" em que se aponta pessoas que sabem ler, mas não compreendem ou não sabem interprestar corretamente o que leu, além de não terem pleno domínio sobre as quatro operações simples de matemática.
A ideia é fazer parecer uma situação de qualificação inalcançável onde o trabalhador, mesmo desempenhando funções que requerem certo preparo profissional, são remunerados como operários comuns ou aprendizes, além de em outras situações, serem simplesmente descartados nos processos seletivos de pessoal entre as empresas.
Assim, sempre é exigido um nível de qualificação acima daquele alcançado pelo trabalhador e onde escolas de profissionalização além, de escassas, serem extremamente caras com cursos ofertados em horários incompatíveis aos de trabalho, dos trabalhadores nas empresas. Não havendo nenhuma política séria, no sentido de reverter o quadro, que acaba se tornando cômodo para as empresas.
Enfim, a lei da escassez é uma poderosa arma para o lucro. Seja supervalorizando itens de comercialização de interesse direto das empresas ou provocando desvalorização de serviços ou mão de obra, requeridos ou demandados por elas.
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