Pesquisa e tecnologia - A alma de uma política industrial contemporânea
Pesquisa e tecnologia - A alma de uma política industrial contemporânea
Qualquer país que deseja adquirir ou voltar a ter protagonismo industrial, precisa antes de mais nada, dominar o controle sobre patentes industriais e para isso, antes de mais nada, deve haver a preocupação com a formação de uma reserva soberana para garantir os recursos financeiros necessários aos investimentos para a viabilização de pesquisas que nos garanta o controle sobre as patentes.
A política industrial é um conjunto de medidas e ações governamentais destinadas a promover o desenvolvimento e a competitividade da indústria, buscando impulsionar o crescimento econômico, o emprego e a inovação. Essas políticas podem variar amplamente, desde incentivos fiscais e financiamentos a regulamentações específicas e investimentos em infraestrutura.
Em resumo, a política industrial visa:
Promover o desenvolvimento industrial: Estimulando o crescimento de setores específicos ou da indústria em geral.
Aumentar a competitividade: Melhorando a posição da indústria nacional no mercado internacional.
Impulsionar o crescimento econômico: Através do aumento da produção, do investimento e do emprego.
Fortalecer a inovação: Estimulando o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias.
Aprimorar o ambiente de negócios: Simplificando a burocracia e criando um ambiente mais propício aos investimentos.
Exemplos de medidas de política industrial:
- Reduzindo impostos para setores específicos ou para empresas que realizam investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
- Oferecendo linhas de crédito com condições mais favoráveis para empresas industriais.
- Criando regras e normas que estimulem a produção e a competitividade, como regulamentações ambientais ou de segurança.
- Construindo estradas, ferrovias, portos e outras infraestruturas que apoiem o desenvolvimento industrial.
- Estabelecendo colaborações entre o governo e o setor privado para realizar projetos de desenvolvimento industrial.
- Investindo em pesquisa e desenvolvimento, incentivando a criação de startups e apoiando a transferência de tecnologia.
Contudo, as políticas industriais no Brasil estão ancoradas apenas na concessão de benefícios aos mesmos grupos empresariais de sempre e que se limita somente a modernização parcial de plantas industriais ou layouts que atualiza linhas de produção, sem a preocupação com a contrapartida em resultados que possam ser mensurados no chão de fábrica, como na melhora da produtividade do trabalhador, que além da profissionalização e da escolaridade, está relacionada ao treinamento da mão de obra em suas funções específicas, nas unidades produtivas industriais.
Desse modo, como vimos anteriormente, a política industrial brasileira, não está ancorada em parâmetros de Estado, mas tão somente de governos, preocupado apenas em oferecer facilidades tributárias ou de financiamento subsidiados, sem nenhuma exigência em contrapartidas verificadas nos ganhos de competitividade e produtividade.
Eficiência, eficácia e efetividade
Para o alcance das metas de melhoramento dos processos produtivos; na administração científica, os conceitos de eficiência, eficácia e efetividade, resumem de modo conciso como os resultados apresentados pelas empresas devam ser usados como critério para que elas continuem sendo contempladas com políticas de estímulo.
A eficiência está amplamente ligada â produtividade, pois implica em fazer mais com menos recursos, otimizando ferramentas ou estruturas produtivas, de modo que elas possam melhorar resultados, elevando a qualidade, ou mantendo-a se esta já for de alto nível, visando a redução de custos.
A eficácia, está relacionada ao alcance de metas estabelecidas, isto é, uma política de macroeconômica como a industrial, para ser bem sucedida, deve contemplar as metas cumpridas em escala micro, no chão de fábrica, garantindo a elevação da produtividade como foco.
Já efetividade é o conceito que traduz a junção da eficiência com a eficácia, trazendo os resultados esperados de modo positivos e duradores.
Somente um projeto nacional de desenvolvimento, pode nos garantir uma política industrial que contemple metas específicas de eficácia, eficiência e efetividade, em total convergência com melhoras contínuas na competitividade de nossos produtos industriais (produtividade, preços e qualidade). Para isso, não podemos nos prender a dogmas ideológicos, seja de cunho liberal ou ambiental, que intimide projetos considerados de investimentos onerosos ou insustentáveis do ponto de vista ecológico.
Nesse sentido, fica fácil identificar o grande problema do Brasil, no qual viemos insistindo em quase 70 anos anos de política industrial presa a subsidiar apenas plantas industriais de montagem ou no processamento de insumos para a obtenção de produtos alimentícios, de higiene ou limpeza. Em todos esses anos, o Brasil não se preocupou em estar na ponta da tecnologia, controlando ou dominando patentes industriais que nenhum outro país possui.
Desse modo, numa época em que vivemos a vanguarda da computação quântica e das inteligências artificiais, que demandam grandes volumes em energia, o Brasil ainda se encontra perdido em lóbbies do setor elétrico, os quais vivem criando factóides e narrativas que justifiquem a cobrança de tarifas mais caras dos consumidores, ainda que seus custos de produção, transmissão e distribuição continuem os mesmos ou tenham caído.
Da mesma maneira, continuamos perdidos em debates que nos mantém presos ao atraso, em nome de pautas ambientalistas, onde a exploração de recursos naturais na Amazônia, ou ainda, a construção de infraestrutura de energia e transportes na região, são vistos como iniciativas que pudessem agravar o que especialistas da área ambiental, entendem como mudanças climáticas.
A sociedade brasileira portanto, principalmente, seus dirigentes públicos e privados, além daqueles que se propõem a serem as mentes pensantes intelectuais, está perdida entre conceitos que tentam agradar a todos os discursos politicamente corretos, mas desprezando o básico seguido por qualquer país o qual adotou um agressivo projeto de desenvolvimento nacional, com sustentabilidade econômica, vista como mais importante que a sustentabilidade ambiental.
Pois os mesmos que defendem mais investimentos no ensino público, matriculam seus filhos em escolas privadas, além de optarem por planos de saúde e de previdência privados, na alegação de que esses serviços prestados pelo Estado brasileiro, seriam de péssima qualidade, enquanto se beneficiam de deduções no imposto de renda em função de um direito que é renunciado de forma voluntária e que se fosse usado pela alta classe média, certamente teria uma qualidade muito melhor.
Isto é, o que temos é um festival de incoerência de discursos onde todos defendem pontos de vista ou políticas liberais que ao longo de três décadas, tem nos mantido na mais absoluta estagnação.
Balança comercial e a necessidade de se agregar valor às exportações
A política industrial deve ainda, se atentar para a agregação de valor sobre as exportações de uma economia; no caso no Brasil, cuja a especialidade é a exportação de commodities, tanto agrícolas, quanto minerais, que gera desconformidades no saldo de transações correntes, registrando déficits na entrada de moeda estrangeira na economia nacional, com relação às saídas (maiores).
E a única forma de se resolver isso a longo prazo, é adotar uma política industrial que contemple empresas competitivas, comprometidas com melhoras constantes de desempenho com o máximo em produtividade; e não apenas faça uso de subsídios públicos para elevar artificialmente seus lucros, enquanto culpa a péssima performance à baixa produtividade dos trabalhadores, que segundo economistas liberais ortodoxos, seria em decorrência do ensino público deficiente ofertado pelo Estado brasileiro no país.
Comentários
Enviar um comentário